Aonde está Deus? Talvez olhando pra cima você não o encontre…

É muito comum ouvir nos dias atuais a seguinte frase: Onde está Deus? Especialmente nos dias de hoje onde se há tanta coisa a ser vista, a ser comprada, a ser estudada e a ser vivida e, nada se vê, nada satisfaz, nada se aprende e nada se vive efetivamente.

Crescemos aprendendo que temos que ser perfeitos, os melhores, aqueles que não erram e por isso talvez essa pergunta seja cada vez mais difícil de se responder. Relacionamos diretamente e de forma inconsciente Deus com a nossa perfeição, ou seja, quanto melhor eu sou, mais próximo de Deus estou, porém, nos frustramos, pois, mais cedo ou mais tarde, percebemos que não somos perfeitos e acreditamos com isso estarmos longes de Deus.

Trago aqui portanto a passagem do evangelho de São João, capítulo 8, versículos do 1 ao 11, onde Jesus se encontrava no templo, e ensinava os que ali estavam. Os fariseus, não curtindo muito sobre aquela nova teoria de amar os pecadores e etc, quiseram dinamizar um pouco a aula e também colocar Jesus em uma eventual transgressão a lei Mosaica que mandava matar a pedradas quem adulterasse, trazendo diante dele uma mulher pega em flagrante adultério.

Sendo assim, quando questionado sobre o que deveria ser feito aquela mulher, Jesus inclinou-se e escrevia com o dedo na terra. Eles continuaram a questionar Jesus. Ele então levantou-se e disse a frase bem conhecida, mas pouco praticada, sobre quem nunca pecou que atirasse a primeira pedra. Jesus volta a se inclinar e escreve na terra.

O final nós já sabemos. Todos se retiram. Jesus novamente se levanta e vê apenas a mulher, finalizando assim o diálogo, conforme está escrito nas sagradas escrituras.

Existem alguns questionamentos em torno desta passagem, de forma especial sobre o que Jesus escrevia na terra. Algumas análises dizem que é, de certa forma uma resposta aos fariseus, pois, faz referência ao aperfeiçoamento da lei que foi escrita nas tábuas de pedra escritas pelo dedo de Deus e entregue a Moisés no Monte Sinai (Êxodo 31-18). É como se Jesus dissesse: essas pedras que estão em suas mãos devem ser largadas e a nova lei eu escrevo na terra, simbolizando que a lei não valeria mais somente ao povo de Israel e sim a todo mundo, representado pela terra.

A essa altura você pode estar pensando assim: Beleza meu irmão. Até aqui eu entendi!! Mas o que você quer dizer com o título desse artigo? E além disso, continuo curioso sobre o que Jesus escrevia na terra.

Como diz um velho ditado: “a curiosidade matou o gato”, e nesta passagem o gesto de escrever na terra, sobressai a um gesto que eu gostaria de chamar-lhe a atenção e que justifica o título deste artigo. Esse gesto se refere ao Jesus que se inclina.

Perceba que durante quase toda a passagem, Ele É o único em meio aos pecadores que está inclinado, rebaixado. Jesus, o rosto humano de Deus, conforme disse São João Paulo II, aquele que É, o criador de todas as coisas, dominador da natureza, aquele que tudo sabe, pode e faz, encontra-se não acima, mas abaixo dos pecadores.

Sinceramente meu irmão e minha irmã, depois que eu me atentei a este gesto de Jesus, aquele que se inclina a mim, não procuro me importar com o que Ele escrevia na terra. O inclinar-se é um sinal de acolhimento, correção amorosa e por que não um prenúncio da humilhação que iria se consolidar mais tarde na cruz.

Por isso lembre-se, quando você se perguntar onde está Deus. Procure curvar sua cabeça pra baixo. Se este gesto for sincero, com o arrependimento verdadeiro, você estará expressando a sua humildade e reconhecendo-se pecador e ao mesmo tempo verá o Deus inclinado e rebaixado bem a sua frente.

10 Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?
11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar” (São João – Cap. 8 – Vers. 10 e 11)

O Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça.O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz. (Numeros 6, 24 a 26)