Com certeza você já ouviu essa frase: “Não se preocupe, filhos se criam para o mundo”. Assista a um jornal na TV, acesse um pela internet ou tire os olhos da tela do celular e olhe ao redor e verá como está o mundo..
Certa vez, em uma reunião de amigos, onde praticamente todos eram pais, surgiu esta velha frase e todos iam concordando sobre ela, porém, eu, ao refletir um pouco mais, demonstrei, inclusive através da minha expressão, que não concordava muito com a mesma. Em seguida, afirmei que de fato não concordava, mas não expus os motivos, porque já haviam deduzido, inclusive com brincadeiras de que eu gostaria de ter os meus filhos “embaixo das minhas asas” quando crescidos. Tudo bem. Eu não fiz questão de querer explicar ou justificar, mas é claro que o motivo não era o de ter os filhos “embaixo das asas”.
O meu pensamento foi o seguinte: “Se é pra criar filhos pra este mundo; este mundo que vivemos, materialista, violento, intolerante, corrupto desde as pequenas até as grandes coisas, egoísta, desumano e limitado em sua maior parte, verdadeiramente eu não desejo criá-los para ele. Não significa alienar os pequenos. Significa, mostrar o que realmente importa. O que é passageiro e o que não é passageiro, para que eles sejam livres para confrontar algumas realidades humanas e quem sabe tentar mudá-las, mesmo que a recompensa e o reconhecimento não venham daqui.
Eu desejo sim criar meus filhos, e tomara Deus que eu consiga, fazendo a parte que me cabe, cria-los para o mundo cujo qual Jesus nos revela. Que se inicia aqui, mas aqui não termina. Aquele em qual Ele afirma que irá nos preparar um lugar nas várias moradas reservadas pelo Pai a nós (João 14, 2). Naquele lugar aonde não haverá mais morte, nem dor (Apocalipse 21 – 4). Aonde não será mais necessária a luz do sol e nem a da lua, pois, viveremos sob a luz da face de Deus, a glória do Cordeiro, que resplandecerá de tal forma que não haverá escuridão, nem noite, nem trevas (Apocalipse 21 – 23). Aquele lugar imaginado por Deus a nós desde o princípio, até a entrada do pecado no mundo.
Se você se considera cristão, algo deve soar diferente dentro de você ao ouvir esta frase: “Filho se cria para o mundo!!”.
Talvez antes de afirma-la, caiba algumas perguntas a si mesmo:
Como estou criando ou pretendo criar meus filhos neste mundo? Quais os valores e princípios lhes pretendo ensinar? Princípios terrenos, limitados ou celestes e eternos?
Pretendo conversar com eles sobre a morte? Sobre a alegria escondida por trás da morte? Que ela, a morte, não se trata de um adeus e sim de um até breve? O que mais tem valor? Desejo que ele ou ela seja uma figura importante e famosa e passageira, reconhecida pelos homens, mas que não conhece a Deus e não O ama? Lembremos aqui da sagrada escritura: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mateus 19 – 24 ).
Não estou aqui pregando votos de pobreza, ainda que isto seja bom, conforme nos ensina Jesus segundo o Evangelho de Marcos 10 de 17 a 21. Mas como exemplo, será que prezo e oriento o meu filho a rezar e se relacionar com Deus tanto quanto a estudar e ir bem na escola, nas aulas de inglês ou nas aulas de informática? Afinal, o que mais vale para ser verdadeiramente feliz? O conhecimento humano ou a sabedoria de Deus? (1° Corintios, cap. 1 – 21 e cap. 2 – de 6 a 9).
Portanto, criar filhos para este mundo, ganha uma nova dimensão quando cremos em Jesus (“Eis que faço novas todas as coisas.” – Apocalipse 21 – 5). Para alguns, por um olhar sem conhecimento aprofundado sobre a doutrina cristã, pode até parecer ser mais fácil. Pode se pensar assim: “Então basta que meus filhos acreditem em Deus e tudo se resolverá, como que por mágica em suas vidas”.
Porém, é ao contrário. Jesus traz o verdadeiro compromisso. Aquele que quase ninguém está disposto a assumir. Ir aonde muitos não estão mais dispostos a ir. Fazer o que muitos não estão mais dispostos a fazer.
Para concluir. O desafio para nós pais cristãos hoje é muito maior. Ainda mais se não nos conformamos aos moldes do mundo atual. E se você pensa de forma parecida com a minha, não desanimemos, pois, como diz o apóstolo Paulo em sua carta aos Filipenses 4 -13, “tudo posso naquele que me fortalece“. Basta dedicarmos tempo aos nossos filhos e aproximarmos o nosso amor por eles ao de Cristo para conosco. A oração e a perseverança deverão também farão parte de nossa rotina. Contemos sempre com a mediação do Nosso Senhor Jesus e a intercessão de sua mãe santíssima.
Encerro este artigo com as palavras do próprio Cristo, quando fez menção a este mundo: “Referi-vos estas coisas para que tenhais a paz em Mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo“. Evangelho de São João 16 – 33.
O Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça.O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz.
(Livro de Números 6, 24 a 26)
