Somente os fortes sobrevivem. A tecnologia avança, a modernidade caminha a passos largos, a ciência progride e explica quase tudo, mas nós nos deparamos dia a dia e cada vez mais com os nossos instintos mais primitivos. Medo, fuga, agressões, violências, assassinatos, adultérios e por aí vai. O mal que há dentro de todos nós seres humanos parece ter que aflorar para revelar a força que há em mim, ou seja, para que eu sobreviva. Mas será que isso é força? E será que isso é vida?
Para compreendermos a razão da nossa existência, o sentido da nossa vida, sem dúvida nenhuma será necessário empenhar uma força. Se não nado contra a maré, significa que a onda está me levando. Mas para que lugar? Para uma praia paradisíaca ou para uma ilha deserta, cheia de cobras e escorpiões?
É claro que ao dizer a palavra “força”, ela tem o seu teor de relativismo, pois, conforme a onda atual, ser forte é ser bombado ou bombada, ter músculos fortes e atraentes (não era assim na Grécia antiga? Será que estamos evoluindo?) ou ter dinheiro e posses ou poder (estes nunca saem de moda).
Mas o que quero dizer aqui se relaciona aquela força que todos nós desejamos, ainda que este desejo esteja sufocado ou escondido por diversos motivos, que é a chamada força interior.
Essa força que é capaz de me levar a superar as dificuldades e lutas da vida sem me ferir ou ferir os outros. Essa força que me faz levantar todas as manhãs e sentir que de fato está valendo a pena. Que me faz compreender as dificuldades e limitações do outro. Que me faz perceber que o mundo não gira em torno de mim, mas que tudo o que me acontece é para o meu bem. Essa força que me permite aprender com os meus erros sem me condenar. Que me faz apreciar a natureza. Que me faz ver algo além da matéria. Que me incita a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Essa força que ensina que a vida não é feita de propósitos, pois, eu sou o único, real e verdadeiro propósito, comprado a preço de cruz.
Poderia dar muitos outros conceitos a essa força, por experiência própria ou por experiências aprendidas com os demais, especialmente os santos da igreja, mas me detenho aqui pra refazer a pergunta crucial. Onde encontrar essa força?
É muito comum achar que a força está nas virtudes e qualidades. Por exemplo. Sou um excelente corredor, mas e se por algum motivo eu perco uma das pernas? Sou um atirador de elite, mas tive uma doença nos olhos. Sou um excelente administrador de empresas, mas a economia do país desandou. E aí, como fica?
Sansão, o personagem bíblico, é muito conhecido pela sua incrível força. Dificilmente era capturado e quando era, arrastava correntes e troncos nos quais era amarrado. Vencia exércitos sozinho. O segredo de sua força estava em seus longos cabelos, que foram raspados quando foi dominado por uma paixão mundana e revelou seu segredo, perdendo assim a sua força.
Mas será que a força de Sansão estava de fato em seus longos cabelos? Ao acompanharmos um pouco mais sobre o relato bíblico, veremos que os inimigos de Sansão o haviam deixado cego, alem de seus cabelos curtos. Mais de 3 mil inimigos riam e humilhavam a Sansão que dançava pra eles, de forma obrigada, no pavimento inferior. Foi quando Sansão fez a seguinte oração: “Senhor Javé, rogo-vos que vos lembreis de mim. Dai-me, ó Deus, ainda, desta vez, força…” (Juízes 16 – 28).
Mesmo sem visão e mesmo sem os longos cabelos, Sansão, com a força que Deus lhe concedeu, derrubou as duas colunas que sustentavam o templo, matando a seus inimigos.
Não levemos em conta aqui a vingança ou a morte do próprio Sansão, uma vez que essa era linguagem da época, levemos em conta a origem da força e a situação em que Sansão se encontrava.
Talvez eu esteja fraco. Talvez nao enxergue. Talvez uma paixao mundana tenha me enganado. Nada disso importa. O que importa é eu descobrir e viver a origem da verdadeira força e pra isso talvez eu precise chegar ao fim das minhas forcas e reconhecer isso.
Talvez Sansão tenha vivido toda a sua vida achando que a verdadeira força estivesse em seus cabelos, ou seja, em si próprio, ficando cego de orgulho e vaidade. E somente pouco antes da morte, tenha descoberto e feito a experiência da verdadeira força.
Mas isso só reforça o que diz o salmo 83 em seu versiculo 11: “Verdadeiramente, um dia em vossos àtrios, vale mais que milhares fora deles…“
Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça. O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz.
(Livro de Números 6, 24 a 26)
