Jesus nos promete uma grande recompensa em amar nossos inimigos, pois, assumiremos nosso lugar de filhos do Altíssimo, encontrando o verdadeiro sentido pra vida (Lucas 6-35) e deixando de ser maltrapilhos que vagam bem vestidos e adornados.
Talvez nunca tenhamos sido tão incapazes em amar quanto hoje. Queremos distância daqueles que não fazem o nosso tipo. Brigamos por pequenas coisas. Falamos mal dos outros por outras menores ainda. Temos dificuldade em perdoar. Uma fechada no trânsito já faz daquele ser um oponente, meu pior inimigo. Uma brincadeira de um colega de trabalho já soa como uma ofensa, um ataque, entre outras.
Temos dificuldades em amar nossos familiares mais próximos e amigos e aí pra piorar a situação, Jesus vem e nos pede pra amarmos nossos inimigos (Lucas 6-27). Na cultura atual do egocentrismo e do racionalismo isso soa como algo impossível não é?
Por sermos filhos de Deus, criados a Sua imagem e semelhança, temos algo no íntimo do nosso ser que nos induz aos gestos do Criador. Uma espécie de identificação natural com Ele que gera um certo equilíbrio emocional. Quanto mais nos opomos a estes gestos, mais nos tornamos desfigurados, perdendo assim a nossa identidade.
Uma vez sem essa identidade, nós não sabemos de onde viemos e muito menos para onde vamos. Nos tornamos filhos sem pátria ou melhor, sem Pai. Aí nos apegamos a nós mesmos como num poste de ferro lambuzado de graxa. Cansamos, nos desgastamos tentando ir para o alto, mas cada vez mais definhamos. Construímos nossa casa na areia (Mateus 7-26).
Por não amar começamos então a colher os frutos ruins como, falta de sentido na vida, depressão, ansiedade, violência, intolerância, distúrbios e vícios que nos impedem de sermos sal da terra e luz do mundo (Mateus 5-13 e 14) ou de descobrirmos a nossa verdadeira vocação.
De forma resumida; nos tornamos seres frustrados e sedentos por não corresponder a uma necessidade interna que é amar e a sua origem que é o próprio amor, Deus.
E aqui vem a pergunta. Se temos dificuldades em amar os que são próximos, como alcançar a proposta de Jesus, de amar os inimigos ou aqueles que, de alguma forma, nos fizeram ou nos fazem mal?
O capítulo 6 do evangelho de São Lucas a partir do versículo 27, nos traz uma espécie de receita. Vou dar ênfase aqui aos versículos 37 e início do 38:
- Não julgueis e não sereis julgados;
- Não condeneis e não sereis condenados;
- Perdoai, e sereis perdoados;
- Dai e vos darão…
Bom, se você chegou até aqui saiba que o mais importante ainda está por vir. Assim como o melhor vinho que foi servido no final da festa, nas bodas de Caná.
Veja novamente as orientações de Jesus. Nelas, sempre nós devemos dar o primeiro passo. Deve partir de nós. Mas se fosse assim tão fácil eu e você já estaríamos amando aqueles que nos fazem mal há muito tempo, pois, apesar da iniquidade que habita em nós, temos boas intenções e as vezes até nos esforçamos.
O segredo para conseguirmos amar verdadeiramente aqueles que nos prejudicam (entenda-se aqui amar como não retribuir o mal, mantendo o juízo de valores do certo e do errado) está no seguinte versículo: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6-36).
Perceba que aqui Jesus não nos oferece só a receita, mas nos dá a referência maior e inverte a ordem das coisas. Devemos ser bons assim como o Pai é. Portanto, podemos concluir que o primeiro passo para tudo aquilo que desejamos transformar, principalmente em nós, é de Deus e isso será possível a partir do momento que nós O conhecermos verdadeiramente como Aquele que não nos julga, não nos condena e sempre nos dá a sua graça, mesmo sem merecermos.
Ao não sermos julgados por Deus, ficaremos constrangidos em julgar o próximo. Ao não sermos condenados por Deus, ficaremos constrangidos em condenar o próximo. Ao nos sentirmos amados por Deus, apesar das nossas limitações, ficaremos constrangidos em não amar os irmãos com as suas limitações.
Se você ainda não se sente amado por Deus de tal forma, como uma pequena dica, reserve um momento, acesse o google e digite na barra de pesquisa “Cristo crucificado” ou olhe para um crucifixo pendurado na parede. Observe essa imagem por alguns instantes e, o mais importante, peça em oração que Deus se revele a você como o Pai amoroso que Ele É e como o sacrifício mais pleno de amor já feito nesta terra, única e exclusivamente por mim e por você. Só assim seremos capazes de retribuir um pouco aos outros o que Deus já fez e faz por nós.
Tenho certeza que Deus irá se manifestar a você e o ajudará a criar essa relação de amor com Ele, que consistirá em liberdade e confiança, pois, o maior interessado nisso é Ele próprio. Lembra da cruz?
O amor ao próximo é o exercício da dignidade e do atributo dos verdadeiros filhos de Deus. Mas pra isso é necessário provar do Amor do Pai, revelado na cruz por Jesus. Só assim aguardaremos com tranquilidade, perseverança e expectativa a grande recompensa.

Fonte: Google imagens
Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça. O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz.
(Livro de Números 6, 24 a 26)
