Se a oração é algo útil em nossas vidas, porque a inutilidade pode ser considerada como um fruto da própria oração?
Quando me refiro a inutilidade como fruto da oração, não quero dizer cruzar os braços e esperar que tudo caia do céu, porque agora estou rezando. Para esclarecer o que eu quero dizer sobre essa tal inutilidade, eu trago aqui um pequeno exemplo citado pelo padre Antonio Royo Marin, em seu livro, Teologia da perfeição cristã.
“Imagine que você vai fazer uma viagem de carro e adora dirigir, mas não dirige tão bem. Porém, você já assume o lugar de motorista. Ao seu lado, vai um excelente motorista, o melhor que existe, mas é seu passageiro. Em determinados momentos ele dá alguma dica, orienta você a pressionar a buzina ou a se manter em um lado da pista, etc. Em alguns momentos, ele põe a mão no volante e evita vários acidentes. E como as condicões do clima pioram e o tráfego de veículos aumenta, logo aumenta o perigo. Você, percebendo a sua incapacidade, logo permite que o seu passageiro mantenha uma das mãos no volante por mais tempo e até as duas, e além disso, também controle o freio e o acelerador. Até que por fim, convencido de que será muito melhor que ele dirija, você permite que ele assuma o seu lugar, dizendo: Veja, é muito melhor que você dirija. Eu irei mais seguro e me sentindo melhor, porque tenho em você plena confiança.”
Se oramos e pedimos pra que Deus nos ajude, então deixemos Ele nos ajudar. Do que adianta pedir a intervenção divina, mas não permitir que Ele assuma totalmente o volante? Deixemos Deus ser Deus. É necessário confiar. E pra aprender a confiar em Deus, é necessário ter uma relação com Ele e acima de tudo compreender que não se trata de uma relação de poder mas sim de amor. A soberba e o orgulho nos impedem de experienciarmos o Amor de Deus. “Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (Tiago 4 – 6)
Deus dirige muito bem o meu veículo, não porque Ele quer se exibir, isso é comum a nós homens e mulheres que mascaramos nossa necessidade de Deus com um monte de vaidades. Ele simplesmente dirige como ninguém o meu veículo porque me ama.
A consciência da minha inutilidade, encarada como um ato de abnegacão perante o amor de Deus ganha vida, porque dá a certeza do destino. Dá a certeza dos momentos exatos das paradas, onde posso descer em segurança, fazer o que tem que ser feito e retomar a viagem como passageiro.
A consciência da minha inutilidade, como fruto da oração e da relação intima com Jesus, me permite compreender que Ele me ama não pelo que faço, mas sim pelo que eu sou. Um filho ou filha amada comprado a preço de cruz e nada do que eu faça ou deixe de fazer mudará esta realidade eterna.
Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça. O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz.
(Livro de Números 6, 24 a 26)
