
“Meu jugo é suave e meu fardo é leve !” (Mat. 11,30) disse Jesus; mas também disse:
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mat. 7,13).
Como então compreender esta aparente contradição, afim de orientar nossas atitudes em relação a conquistar a vida eterna?
Em primeiro lugar é necessário entender que a nossa vontade de ser feliz é a vontade da alma em retornar a sua origem, pois, segundo Aristóteles, “não há nada em nosso intelecto (alma) que não tenha passado pelos nossos sentidos!”. Ou seja, essa necessidade humana do transcendente é consequência do contato inicial do ser quando criado por Deus – “Antes que te formaste no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia…” (Jer. 1,5).
Em segundo lugar, e não menos importante, Deus nos deu o livre arbítrio (liberdade), pois, nenhuma relação de amor gerará frutos se não existir liberdade e consentimento.
Baseados na liberdade e na vontade, pela nossa capacidade de raciocinar, nos cabe fazer uma escolha. A escolha de crer !
Porém, é aqui que o negócio complica, pois, se decididamente optamos por crer que Deus é o criador de todas as coisas, naturalmente e logicamente deveríamos reconhecer não saber qual o melhor caminho a seguir e aderir aos caminhos que Deus me propõe. Contudo, preferimos agir por nossos impulsos e desejos, desdenhando Daquele que muitas vezes dizemos que TUDO pode, movidos por vaidades, orgulho, entre outros pecados tão conhecidos.
Vamos percebendo ao longo do tempo que amar a Deus sobre todas coisas não se trata de uma decisão fácil, pois, significa que TUDO deve estar submetido a Deus. Significa colocar Deus em primeiro lugar. Pois, Ele mesmo diz que “sem Mim, NADA podeis fazer..” (João 15,5).
Muitas vezes nos iludimos com conquistas ou méritos que não faziam partes do plano divino e que nos trarão um sofrimento desnecessário no futuro ou foram em vão (para nossa vangloria e não para a glória de Deus).
Cristo torna nosso fardo leve, quando ao decidirmos optar por Ele, que é o TUDO, compreendemos que a sua compaixão e misericórdia sempre vem ao nosso nada, para nos levantar das quedas que inevitavelmente teremos pelo caminho.
Pra finalizar este artigo fazendo referência ao título que parece, a princípio um pouco vago, cito a passagem do livro do apocalipse fazendo menção ao tudo ou ao nada… “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” Apocalipse (3:15-16)

Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça. O Senhor volva o seu rosto para ti e te de a paz.
(Livro de Números 6, 24 a 26)
